Estava à beira do silêncio,
Quase pronto a desistir,
Minhas palavras feridas
Já não queriam mais existir.
Quase entreguei minha essência,
Quase deixei de sonhar,
Mas no último suspiro
Ouvi Deus me chamar.
Queria parar de escrever,
Fechar as portas do sentir,
Mas o arrependimento veio
Antes de tudo ruir.
E foi no meio do grande vazio,
Quando pensei que ia me perder,
Que uma voz doce e suave disse:
Ei, Eu ainda cuido de você.
Dava-me como um poeta perdido,
Sem rumo, sem direção,
Olhava dentro de mim mesmo
E só enxergava escuridão.
Mas mesmo em meio ao nada,
Havia algo que ardia,
Eu não era invisível,
Minha alma ainda existia.
E Deus, com mãos de amor,
Recolheu meus pedaços no chão,
Soprou vida nos meus versos
E reacendeu meu coração.
Hoje escrevo com lágrimas,
Mas também com gratidão,
Pois até no meu silêncio
Deus ouviu minha oração.
Se um dia eu me perder,
E esquecer quem eu sou,
Que minha própria poesia
Me lembre quem me chamou.
Autor: Nil Gonçalves
Um Eterno Sonhador