O que dizer ao coração,
Se ele sangra em silêncio por mim?
O que explicar à razão,
Se ela só aponta onde errei no fim?
E à minha vida… o que resta falar,
Se fui eu quem tirou o próprio chão?
Construí o abismo onde hoje estou,
Com as mãos da minha própria ilusão.
São perguntas que ecoam no vazio,
Sem respostas, sem direção,
Porque no instante em que eu falhei,
Faltou amor… sobrou decisão.
Se eu tivesse parado um segundo,
Se eu tivesse olhado você,
Talvez o tempo não fosse agora
Um castigo difícil de viver.
Agora colho o que plantei,
Em dias longos, frios demais,
A tristeza me veste por dentro,
E a culpa não me deixa em paz.
Fui impulso, fui falha, fui dor,
Fui o erro que não quis prever,
E no peso dessa consciência,
Estou sofrendo por te perder.
E mesmo assim… em meio à ruína,
Há algo que insiste em ficar:
Um arrependimento sincero,
Que ainda tenta me salvar.
Autor: Nil Gonçalves
Um Eterno Sonhador.