Ela sentiu-se incomodada,
O silêncio e a tristeza a cercaram.
Não havia grades, nem liberdade,
E foi assim que os limites chegaram.
Ele não ergueu muro de pedra,
Nem de tela ou arame farpado,
mas cercava sua vida de medo,
E chamou aquela prisão de cuidado.
Nas mãos dela, cabia o mundo,
Em um pequeno aparelho de celular,
Mas só podia ver as escondidas
Pois se ele visse começava a brigar.
Não precisa usar isso, dizia firme
Eu sei o que é melhor para nós,
Aos poucos, sem usar mordaças,
Foi calando totalmente a sua voz.
Celular virou uma grande ameaça.
Saídas viraram também um perigo,
É bem melhor controlar a palavra,
Para que tenha um lar, um abrigo.
Ele dava as ordens, e ela obedecia,
Ele decidia o que fazer, ela cedia,
Enquanto isso a liberdade dela,
Já estava presa e ela não percebia.
Mas há silêncios que gritam alto,
Há um grito de socorro no olhar,
Nenhum amor pode ser legítimo,
Se para ser dois ter que aprisionar.
O amor não confisca o caminho,
Não vigia, pressiona ou quer sufocar,
Quem ama não prende o outro,
Mas dá liberdade, se ama, vai voltar.
Autor: Nill Gonçalves
Um Eterno Sonhador.
#JNG
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