Você sabia…
Essa semana o mundo pesou sobre mim.
As lembranças voltaram, ferindo como lâminas antigas,
e eu, entre páginas manchadas de lágrimas,
tentei dar forma à dor que nunca se foi.
Revivi meu pai, aquele homem forte, vencido pela vida,
e um menino de onze anos, perdido entre culpa e silêncio.
Cada linha do livro sangra,
cada palavra carrega um pedaço do que eu não consegui esquecer.
E justo agora, quando minha alma estava cansada,
quando o peito pedia apenas abrigo e compreensão,
veio de você um “adeus”.
Seco. Gelado. Final.
Eu, que só queria um gesto,
uma voz que dissesse “eu entendo”,
recebi o silêncio e a distância.
Foi como cair outra vez,
não sob as rodas de um ônibus,
mas sob o peso do abandono.
Dói saber que o amor que me sustentava
me virou as costas no instante em que eu mais precisei.
Dói porque não era o amor que eu esperava perder
era o chão, o fôlego, a fé.
Mas mesmo ferido, ainda escrevo.
Ainda acredito que cada lágrima tem um propósito,
que um dia Deus me mostrará o porquê de tanto vazio.
E se um dia você ler estas palavras,
saiba:
eu te amei com o mesmo coração que um dia
implorou pelo retorno de um pai que nunca voltou.
E talvez seja por isso que a perda me assusta tanto
porque, no fundo, sempre esperei que o amor ficasse.