Hoje, uma saudade intensa apertou meu peito, daquelas que surgem sem pedir licença e invadem cada canto do ser.
Fechei os olhos e, quase sem perceber, meu coração decidiu embarcar em uma jornada.
Um caminho desconhecido, que nem eu sabia aonde me levaria.
Viajei até te encontrar… e lá estava você.
Linda, charmosa, maravilhosa, irradiando uma luz própria que me hipnotizou por um instante.
Mas logo percebi que havia outra presença ao seu lado.
E esse outro… esse outro não era eu.
Foi como se uma nuvem densa se espalhasse por dentro de mim, e a tristeza encontrasse o seu ponto mais alto.
Meus olhos embaçaram; um misto de lágrimas e suor escorria pelo rosto.
A boca seca já não conseguia pronunciar palavra alguma.
O nariz lutava para respirar, e o pobre coração, ora batia, ora apanhava, corria e quase parava.
As pernas tremiam, recusando-se a obedecer aos comandos.
Mas a mente… essa, infelizmente, funcionava.
E assim eu me via, diante de você.
Tudo em mim parecia desmoronar, pois percebi que o motivo da minha dor era muito mais profundo do que eu imaginava.
Senti uma saudade diferente, uma ausência que ia além de você, algo que nem a tua presença poderia preencher.
Foi então que compreendi: o que eu realmente sentia era saudade de mim mesmo.
Ali, diante de você e daquele outro alguém, algo se rompeu.
Olhei para o reflexo do meu próprio ser e enxerguei uma figura estranha, quase desconhecida.
O corpo era o meu, o cabelo era o meu, a face ainda carregava meus traços…
Mas, de alguma forma, eu não me reconhecia.
Havia algo em mim que já não era eu nem meu.
Percebi que havia me perdido de mim mesmo, fragmentado numa busca incessante por te encontrar, por te manter, ao ponto de deixar para trás quem eu era.
Naquele instante, a verdade emergiu como uma onda:
ao encontrar você e perceber que já não fazia parte da sua vida — descobri que também estava em pedaços.
Em cada passo que dei tentando te reencontrar, me perdi um pouco mais de mim.
Desdobrei-me em vontades alheias, dissolvi-me em promessas que fiz a mim mesmo e nunca cumpri.
Eu me anulei, tentando preencher um vazio que, no fundo, era o eco do meu próprio reflexo.
E ali, em meio à solidão de mim mesmo, ouvi um chamado.
Era eu… chamando por mim.
A busca por você não me levou ao reencontro que tanto desejei,
mas sim ao encontro mais importante de todos: comigo mesmo
ainda que entre escombros e ruínas de quem eu fora um dia.
Entendi que, antes de qualquer amor, eu precisava me resgatar.
Refazer o caminho de volta ao meu próprio ser,
costurando, com paciência, os pedaços que deixei espalhados pelo caminho.
Agora sei que a saudade que eu sentia de você
me guiou para uma jornada mais profunda:
reencontrar-me no espelho, reconhecer-me,
e, aos poucos, sentir o desejo de ser eu novamente.
Autor: Um Eterno Sonhador